sexta-feira, 13 de maio de 2011

Resumo: O desafio da pesquisa social (MINAYO, Maria Cecília de Souza)


O PET-SSO deu início a um grupo de estudos sobre a temática da juventude. Esta é uma atividade que tem por objetivo aprofundar conceitos fundamentais para a formação acadêmica, além de apreender elementos teóricos que propiciem a compreensão da temática.
Os estudos ocorrem sob a coordenação da tutora ou outros convidados e são abertos aos alunos da graduação. Pretendemos intercalar o estudo de textos relacionados à juventude com materiais que subsidiem a construção de pesquisas. Os encontros acontecem todas as segundas-feiras as15h30min na sala de reuniões do Departamento de Serviço Social.

Um dos textos discutidos foi "O desafio da pesquisa social" de Maria Cecília de Souza Minayo, e além do debate que ocorreu no grupo de estudos, foi elaborado um resumo sobre o artigo em questão.


RESUMO

No artigo “O desafio da pesquisa social”[1], encontrado no livro “Pesquisa social: teoria, método e criatividade”, Minayo[2] (2008) é dividido em quatro partes. A primeira parte do texto aborda questões relacionadas a “Ciência e Cientificidade” e a autora afirma que o homem sempre se preocupou com o conhecimento da realidade, sendo que  historicamente fez uso da religião, da filosofia, da arte para buscar esse conhecimento, e a ciência seria mais um dos instrumentos nessa procura. Porém na sociedade ocidental, a ciência tornou-se uma forma hegemônica de construção da realidade, tanto que alguns críticos a consideram como um novo mito, já que afirma ser a única promotora da verdade. A ciência se estabeleceu como hegemônica por que respondeu questões técnicas que se colocaram com o desenvolvimento industrial e por que estabeleceu uma linguagem fundamental através de conceitos, métodos e técnicas para compreender o mundo, os fenômenos, os processos e as relações.
A ciência é permeada por conflitos e contradições, e uma das controvérsias é o embate entre ciências sociais X ciências naturais. Alguns defendem a existência de uma uniformidade, sendo que o social deve se equiparar ao natural para receber o título de ciência; e outros afirmam a necessidade da diferença e da especificidade entre eles. Minayo (2008) cita Bruyne et al. (apud Minayo, 2008) que defende que o campo científico possui ao mesmo tempo dois pólos: um de unidade, pois pode existir a semelhança em todas as atividades que partem da idéia do conhecimento construído por meio de conceitos; e outro de diversidade, pois o campo da ciência não pode ser reduzido a uma única forma de conhecer, mas ela contém maneiras diversas re realização.
Diante de diversos questionamentos sobre a configuração das ciências sociais como conhecimento científico, a autora propõe a reflexão dos seguintes dilemas: “(...) seguir os caminhos das ciências estabelecidas e empobrecer seu próprio objeto? Ou encontrar seu núcleo mais profundo, abandonando a idéia de cientificidade?” (MINAYO, 2008, p.11). E para falar das Ciências Sociais dentro de sua peculiaridade a autora utiliza cinco critérios[3] que as diferenciam, mas que não as desvinculam dos princípios da cientificidade.
O primeiro é que o objeto das Ciências Sociais é histórico, ou seja, cada sociedade humana se constrói de maneira diferente, porém aquelas que vivenciam o mesmo período histórico possuem traços em comum devido à influência das comunicações, e as sociedades presentes são marcadas pelo seu passado e constroem o seu futuro. O segundo é que o objeto das Ciências Sociais possui consciência histórica, ou seja, não é apenas o investigador que tem capacidade de dar sentido ao seu trabalho intelectual, mas todos os seres humanos dão significados as sua ações, explicitam suas intenções, projetam e planejam o seu futuro, portanto o nível de consciência historia das Ciências Sociais se refere ao nível de consciência histórica da sociedade de seu tempo.
O terceiro critério é que nas Ciências Sociais existe uma identidade entre sujeito e objeto, pois lida com seres humanos, que por seus traços como classe, faixa etária, etc., se aproximam do investigador. O quarto critério é que as Ciências Sociais são intrínsecas e intrinsecamente ideológicas, pois não existe ciência neutra, de forma mais veemente nas Ciências Sociais, onde a visão de mundo implica em todo o processo de conhecimento desde a escolha do objeto, a aplicação e o resultado, e isso ocorre também nas Ciências Naturais, de forma diferente, mas que aparecem quando se escolhe ou descarta temas, métodos e técnicas. E o último critério é que o objeto das Ciências Sociais é essencialmente qualitativo, pois elas possuem instrumentos e teorias que permitem a aproximação da existência dos seres humanos em sociedade, abordando o conjunto das expressões humanas nas estruturas, processos, representações, símbolos e significados.
Na segunda parte do texto, Minayo (2008) traz o “Conceito da metodologia de pesquisa”, afirmando que “(...) a metodologia inclui simultaneamente a teoria da abordagem (o método), os instrumentos de operacionalização do conhecimento (as técnicas) e a criatividade do pesquisador (sua experiência, sua capacidade pessoal e sua sensibilidade).” (MINAYO, 2008, p.14). A autora afirma que a metodologia é muito mais que técnicas, mas é a articulação da teoria, da realidade dos pensamentos sobre a realidade, utilizando palavras de Lenin, “o método é a alma da teoria” (LENIN apud MINAYO, 2008, p.15). Ela salienta ainda que nada substitui a criatividade do pesquisador, e que tanto segundo Feyerabend quanto Kuhn (apud MINAYO, 2008, p.15) o progresso da ciência ocorre de forma mais veemente quando as regras são violadas e não quando são seguidas. Dilthey (apud MINAYO, 2008) complementa que apesar de precisarmos de determinados parâmetros para produzirmos conhecimento, a criatividade é o mais fundamental.
Ainda dentro desta segunda parte do texto, a autora descreve de maneira breve quatro elementos importantes para a pesquisa nas Ciências Sociais. A pesquisa é uma atividade basilar da ciência e que indaga e constrói a realidade, e que mesmo sendo uma prática teórica ela vincula o pensamento e a ação. Qualquer pesquisa é iniciada com uma pergunta, uma dúvida, que para ser respondida se coloca a necessidade de articular conhecimentos anteriores ou então criar novos conhecimentos.
E é nesse aspecto, que se expressa a necessidade do segundo elemento, a teoria, que é “(...) construída para explicar ou para compreender um fenômeno, um processo ou um conjunto de fenômenos e processos.” (MINAYO, 2008, p.17), e que tem como funções esclarecer melhor o objeto de pesquisa, fornece elementos para questionamentos e o estabelecimento de hipóteses, colabora na organização dos dados com mais nitidez e, guia a análise dos dados. A teoria pode ser o conhecimento de um determinado assunto construído cientificamente por outros pesquisadores e que fornecem elementos para novas pesquisas, como por exemplo, as grandes teorias (macroteorias) que são narrativas ou escritas por autores de referência, sendo que as quatro principais são o positivismo, o marxismo, a teoria da ação e o compreensivismo, mas há também as teorias menores, que normalmente se baseiam em alguma grande teoria e especificam a explicação e a interpretação de um fenômeno. Porém, muitas vezes, surgem problemas que as teorias já desenvolvidas não dão conta de explicar, para isso inicia-se uma “pesquisa exploratória”, na qual é proposta uma nova interpretação. A autora salienta que nenhuma teoria, por mais bem formulada que seja, ela dá conta de explicar todos os fenômenos e processos.
A teoria é feita através de um conjunto de proposições, um terceiro elemento fundamental para a pesquisa social, que são as hipóteses comprovadas, que devem ser claras e de fácil entendimento, apresentarem as relações abstratas e nortear para questões reais. E por último, os conceitos, que são os temas mais significativos num discurso científico, são eles que focalizam e delimitam o tema de estudo e, são carregados de sentido, já que uma mesma palavra pode ter conceitos diferentes em teorias distintas. Minayo (2008) aponta quatro características do conceito que devem estar claras para o pesquisador: o conceito tem que ser valorativo (explicitação da corrente teórica onde os conceitos foram concebidos), pragmático (descrição e interpretação da realidade) e comunicativo (nítidos, inteligíveis, abrangente e específico ao mesmo tempo). Os três tipos de conceitos são os teóricos (compõem o discurso da pesquisa), de observação direta (definem os termos para serem trabalhados em campo ou nas análises documentais), e de observação indireta (relacionam o contexto da pesquisa com os conceitos da observação direta). A autora afirma que tanto as teoria como os conceitos são fundamentais para qualquer pesquisa, porém eles não podem ser camisas de força.
Na terceira parte do texto, Minayo (2008) aborda a questão da pesquisa qualitativa e da pesquisa quantitativa, dando ênfase a primeira. A pesquisa qualitativa responde a questões que não podem ou não devem ser quantificados, tanto que o objeto desse tipo de pesquisa raramente pode ser expresso em números. Não deve existir uma hierarquia entre os dois tipos de pesquisa, pois a diferença entre elas refere-se a natureza da pesquisa. As divergências sobre esses tipos de pesquisa geralmente ocorrem no debate entre as correntes do pensamento, sendo que a autora cita quatro delas.
O positivismo utiliza de conceitos filosóficos e matemáticos para explicar a realidade, e se utiliza de fundamentos quantitativos nas ciências sociais iguais aos utilizados nas ciências naturais, tais quais, “o mundo social opera de acordo com leis causais. O alicerce da ciência é a observação sensorial. A realidade consiste em estruturas e instituições identificáveis ‘a olho nu’ (...). São reais os ‘dados visíveis e identificáveis’. Valores e crenças (...) devem ser desprezados como objetos específicos de pesquisa. Os dados recolhidos da realidade empírica das estruturas e instituições são suficientes para explicar a realidade social.” (MINAYO, 2008, p.23).
A objetividade defende o método quantitativo como suficiente para explicar a realidade social, com instrumentos padronizados e “neutros”. O compreensivismo que manifesta-se na fenomenologia, na etnometodologia, no interacionismo simbólico, considera a subjetividade o fundamento da vida social e que é inerente à construção da objetividade nas Ciências Sociais. A autora acrescenta que “compreender” é o verbo da pesquisa qualitativa, ou seja, compreender e interpretar a realidade.
O marxismo considera a historicidade, as condições sócio-econômicas, as contradições sociais. Possui uma abordagem dialética, e teoricamente faria um “desempate” entre o positivismo e o compreensivismo. A dialética trabalha tanto com quantidade como com qualidades. Segundo Minayo (2008), o marxismo quase não considera em suas análises os valores, as crença, os significados e as subjetividades.
A autora acaba por fazer uma crítica às quatro teorias citadas: o positivismo pela objetividade sem sujeito e a restrição do conhecimento da realidade àquilo que pode ser observado ou quantificado; o compreensivismo devido à tendência de considerar que aquilo que as pessoas falam é a realidade e o subjetivismo que confunde a ciência com a percepção do investigador; o marxismo pela dificuldade de criar instrumentos de compreensão e a presença de respostas prontas baseadas na interpretação teórica deixando de lado a realidade empírica.
Na quarta e última parte de seu texto, Minayo (2008) apresenta o ciclo de uma pesquisa qualitativa, afirmando que é um processo em “espiral”, pois se inicia com uma pergunta que ao ser respondida cria novos questionamentos e dúvidas. O processo de trabalho de uma pesquisa qualitativa divide-se em três partes: a primeira é a fase exploratória, quando o pesquisador se prepara para entrar em campo, definindo o objeto, organizando teórica e metodologicamente, cria hipóteses, descreve os instrumentos de trabalho, pensa o cronograma e faz os procedimentos para a definição do espaço e da amostra; a segunda fase é o trabalho de campo, quando combinas os instrumentais de observação, comunicação, levantamento de dados, confirmação ou não da hipótese; a terceira etapa é a analise e tratamento do material empírico e documental, quando ocorre a compreensão e interpretação dos dados levantados na segunda fase, articulando com a teoria, ou seja, ordenam-se os dados, classifica-os e então ocorre a análise propriamente dita.
Para encerrar o texto, a autora afirma que a análise qualitativa é mais do que a classificação de opiniões, mas sim a descoberta de códigos sociais a partir do levantamento dessas opiniões. Alega também, que a pesquisa não se encerra, pois toda investigação produz conhecimento e indagações novas.


[1] MINAYO, Maria Cecília de Souza. O desafio da pesquisa social. In: MINAYO, Maria Cecília de Souza; GOMES, Suely Ferreira Deslandes Romeu (orgs.).Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 27ª ed. Petrópolis: Vozes, 2008, p.9-29.

[2] Minayo é graduada em Sociologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e em Ciências Sociais pela State University of New York, possui mestrado em Antropologia também pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e doutorado em Saúde Pública pela Fundação Oswaldo Cruz. Atualmente é pesquisadora dessa fundação e editora científica da revista Ciência & Saúde da Associação Brasileira de Saúde Coletiva.

[3] Minayo (2008) utiliza de critérios citados por ela na obra “O desafio do conhecimento”, publicado em 2006, e por Demo (1985) em “Metodologia científica em Ciências Sociais”.

2 comentários:

  1. nosssssssa meu trablho nâo vais ser tâo grade credo!!!

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  2. nosssssssa meu trablho nâo vais ser tâo grade credo!!!

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